Lisboa

By patipelomundo

Published 7 Jun 2025 · Portugal · Comments

Após pararmos em Cabo Verde e Tenerife, nosso próximo destino do cruzeiro de travessia no Costa Pacífica foi Lisboa.

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A travessia começou com as águas agitadas do Atlântico, e à medida que o barco avançava pela foz do Tejo, a paisagem foi se transformando. A cidade foi surgindo aos poucos, e cada detalhe parecia mais grandioso e especial visto daquele ângulo.

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Sair do oceano Atlântico e entrar pelo rio Tejo foi, sem dúvida, uma das experiências mais incríveis que já vivi em Lisboa. Já tinha visitado a cidade algumas vezes, mas ver Lisboa a partir do rio foi como conhecer um outro lado dela, quase secreto, e que sempre esteve ali.

Segue link da nossa parada em Lisboa para o canal do Youtube
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https://youtu.be/L2gLft0vWdo?si=K3ykGX-1HbPc7FSG

Torre de Belém

Um dos momentos mais marcantes foi avistar a Torre de Belém, que guarda os segredos das caravelas e dos navegadores que partiram dali séculos atrás.

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Construída no início do século XVI, a Torre de Belém é um dos maiores símbolos de Lisboa e de Portugal. Erguida em estilo manuelino, serviu como ponto de defesa da cidade e também como ponto de partida para as expedições marítimas durante a Era dos Descobrimentos.

Padrão dos Descobrimentos

Logo depois, deslizando pelo Tejo, surgiu o Padrão dos Descobrimentos, com suas figuras esculpidas olhando firmes para o horizonte. Ver o monumento desse ângulo, a partir da água, foi mágico. Erguido em 1960 para homenagear os 500 anos da morte do Infante Dom Henrique, o monumento traz à frente o próprio Infante, e atrás dele várias figuras históricas como Vasco da Gama, Pedro Álvares Cabral e Fernão de Magalhães, todos alinhados como se estivessem prontos para partir novamente.

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Algumas fotos postadas da Torre de Belém e do Padrão do Descobrimento são de uma viagem anterior, já que teríamos pouco tempo em Lisboa e pelo meu planejamento achei melhor não deslocar até esses monumentos nesta viagem. No entanto, foi uma experiência que mudou minha forma de enxergar Lisboa — a mesma cidade que já tinha visitado, mas que dessa vez se revelou de maneira nova, pelo reflexo das águas do Tejo.

Ancoramos a 17 Km do oceano Atlântico, a margem norte do estuário do rio Tejo!!!! Desde os seus dias de glória, durante a Era dos Descobrimentos, quando estava na vanguarda do comércio mundial, Lisboa tem sido um porto importante. A Era dos Descobrimentos se foram, mas os grandiosos monumentos da cidade testemunham o passado marítimo da cidade.

Porto de Lisboa

O porto de Lisboa é bastante próximo ao centro da cidade. O terminal de cruzeiros é um prédio moderno e fica de frente ao bairro de Alfama com uma vista linda. Saindo do cruzeiro a esquerda está a Praça do Comércio. A localização é muito prática.

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Vista do bairro Alfama a partir do Cruzeiro

O bairro de Alfama é um dos mais antigos de Lisboa, conhecido pelas ruas estreitas e sinuosas. É um verdadeiro labirinto de becos, escadarias e praças. Nome "Alfama" tem origem no árabe "al-hamma", que significa "as termas" ou "os banhos".

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Durante a ocupação muçulmana na Península Ibérica (711-1147), Alfama era um bairro que abrigava termas públicas.

Ah, uma curiosidade, geralmente as palavras que iniciam com al como Alfama, Alface, Algodão, Almofada, Alcova, tem origem árabe. E ai, lembra de mais alguma palavra?

Praça do Comércio

Descendo do cruzeiro a esquerda chegamos a Praça do Comércio. Neste local é importante relembrarmos o terremoto de 1755 que devastou Lisboa.

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O primeiro tremor foi sentido as 9:30 do dia 01 de novembro (dia de todos os Santos). Alguns minutos depois, um segundo tremor, reduziu mais da metade da cidade aos escombros. Mais de 20 igrejas desabaram, esmagando a multidão reunida para comemorar o dia de Todos os Santos.

Mas não parou por aí, ainda teve um terceiro tremor e início um incêndio que espalhou pela cidade. E sabe como esse incêndio começou? começou com um monte de velas acesas que havia na igreja, justamente porque a população estava comemorando o dia de Todos os Santos.

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Tremor, incêndio...Imaginem tudo isso acontecendo nesse local. E ainda não parou por aí.. Em torno das 11 horas da manhã, enormes ondas vindas do Tejo, invadiram toda esta parte baixa da cidade. Muitos que fugiam das chamas em direção ao Tejo, eram arrastados pelas enormes ondas.

Resumindo, em torno de 15 mil pessoas morreram em Lisboa.

Ah, nesse local havia um palácio real, O Paço da Ribeira do século 16 (1511), que foi completamente destruído. Mais de 70 mil livros da biblioteca do palácio foram destruídos com o terremoto.

No entanto, a família real sobreviveu, pois estavam em outro palácio no bairro de Belém, que foi menos afetado.

Depois dessa tragédia, muitas pessoas discutiam se o terremoto tinha sido um fenômeno natural ou um sinal da ira divina, pois Lisboa era famosa pelas inquisições.

Assim que as coisas ficaram mais calmas, o principal ministro de Jose I, Sebastião Jose de Carvalho e Melo, mais tarde ficaria conhecido como Marquês de Pombal, planejou a reconstrução da cidade. Enquanto muitos faziam reflexões morais sobre o porquê da destruição, Pombal reagia com praticidade: Enterrem os mortos e alimentem os vivos, ele falava. Restaurou a ordem e deu início a um plano diretor urbano. Sua forma de lidar com a crise rendeu-lhe um poder quase absoluto.

Assim uma boa introdução ao ambiente lisboeta é pela Praça do Comércio, também conhecida como Terreiro do Paço, local que foi totalmente destruído pelo terremoto e reconstruído seguindo os planos de Pombal. Esta área é um dos primeiros exemplos de planejamento urbano da Europa.

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Lembram que eu falei que aqui havia um palácio real de 1511 e que foi destruído? Bem, Pombal pensou em um novo palácio, com amplos edifícios e arcadas ao redor dos três lados da praça. Hoje os edifícios são gabinetes administrativos do governo.

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Em 1908, o rei Carlos e seu filho, Luis Felipe, foram assassinados na praça. Em 1974, a praça foi palco do primeiro levante do Movimento das Forças Armadas, a Revolução dos Cravos.

A estátua equestre de Dom José I:

Bem no centro da praça está a estátua de Dom José I, o rei que ordenou a reconstrução de Lisboa após o grande terremoto. O cavalo de bronze que pisa em serpentes deu à praça seu terceiro nome: Praça do Cavalo Negro, mas parece que hoje ele está meio esverdeado.

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Arco da Rua Augusta: Um Símbolo de Renascimento e História em Lisboa

O Arco da Rua Augusta é mais do que um monumento, ele é um símbolo do renascimento da cidade após o devastador terremoto de 1755, que praticamente destruiu a capital portuguesa. Atravessar o arco é como atravessar um portal para a história, onde passado e presente se encontram.

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Construído para celebrar a reconstrução da cidade, o arco começou a ser idealizado logo após a tragédia, mas só foi concluído em 1873. Sua estrutura neoclássica impressiona pelo equilíbrio e elegância, com colunas robustas e esculturas que narram episódios marcantes da história de Portugal.
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No topo do arco, esculturas em pedra homenageiam personagens e alegorias importantes, como Vasco da Gama e Marquês de Pombal, este último, responsável pelo plano de reconstrução da Baixa de Lisboa.

Baixa e Rua Augusta

Da Praça do Comércio, seguimos pela Rua Augusta, a rua mais elegante da Baixa, repleta de lojas, cafés e restaurantes. É uma ótima oportunidade para sentir a vibração da cidade e assim aproveitamos para comer uns pastéis de nata. Importante também reparar nas calçadas de mosaicos.

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Muitas das ruas que cortam a Augusta ainda possuem lojas que deram os seus nomes, como por exemplo, Rua da Prata e Rua do Ouro ou Aurea, em que vamos encontrar joalherias, Rua do Sapateiro, vamos encontrar sapateiros, Rua do Comércio, vamos encontrar bancos...Rua do Crucifixo.
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Na rua dos Correeiros, tem o Banco Comercial Português e nesse banco foram preservadas termas romanas. As ruínas e mosaicos podem ser vistos através da vitrine de vidro nos fundos do banco. Uma alternativa é visitar em uma quinta-feira, quando o museu está aberto.

Rua dos Fanqueiros

A Rua dos Fanqueiros, em Lisboa, fica na Baixa e recebeu esse nome porque, antigamente, era o local onde se concentravam as lojas e oficinas dos fanqueiros. Mas o que eram os fanqueiros? Eram comerciantes que vendiam panos, fazendas, tecidos e roupas feitas — principalmente roupas usadas ou de segunda mão, o que na época era chamado de “fanca”.

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A palavra “fanqueiro” vem do termo antigo “fanca”, que designava esses pequenos negócios ou bancas onde se vendiam artigos de roupa e tecido. Com o tempo, esses comerciantes se organizaram nesse trecho da cidade, dando origem ao nome da rua.

Hoje, a Rua dos Fanqueiros ainda é uma das mais conhecidas da Baixa lisboeta, fazendo parte daquele traçado simétrico idealizado após o terremoto de 1755.

A Igreja de São Cristóvão: Um Tesouro Escondido no Coração de Lisboa

Ao subir as charmosas ruelas de Lisboa em direção ao imponente Castelo de São Jorge, somos surpreendidos por uma joia pouco conhecida, mas de grande valor histórico e artístico: a Igreja de São Cristóvão.

Escondida entre as encostas do bairro de Alfama, essa pequena igreja do século XVII convida à pausa e à contemplação. Discreta, esta igreja guarda em seu interior um verdadeiro tesouro artístico e histórico, que revela muito sobre a arte sacra do período barroco português.

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Um dos destaques é o belo quadro da Santa Ceia, que impressiona pela sua riqueza de detalhes Além da Santa Ceia, a igreja guarda outras preciosidades artísticas, como painéis pintados com cenas da vida de santos e elementos decorativos em talha dourada, típicos do período barroco português.

Ah, São Cristóvão é considerado padroeiro dos viajantes!!!

Castelo de São Jorge

O Castelo de São Jorge é um dos marcos históricos mais importantes de Lisboa. Localizado no topo de uma das colinas mais altas da cidade, ele tem mais de mil anos de história!"

Originalmente, o castelo foi fundado pelos muçulmanos no século XI. No entanto, após a Reconquista Cristã, em 1147, o castelo foi tomado por Afonso I de Portugal, que o transformou em uma fortaleza real.

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O castelo foi palco de muitas batalhas ao longo da história e, por muitos anos, foi a residência dos reis portugueses. Ele também teve um papel crucial durante as invasões francesas no início do século XIX."

Os ingressos para o castelo estavam 15 euros por pessoa e você pode comprá-los online ou diretamente na bilheteira do local. O castelo costuma abrir das 9h às 21h.

Alfama e Miradouros

A caminhada por Alfama, o bairro mais antigo de Lisboa, é uma experiência encantadora. Suas ruas estreitas e becos sinuosos exalam história e charme a cada passo.

Em muitos de seus cantos ainda se percebe o espírito da Lisboa antiga, com construções históricas e uma atmosfera que resiste ao tempo. Casas com varais de roupas criam um cenário pitoresco e autêntico.
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Com uma forte identidade local, Alfama é reconhecido como um dos principais centros de cultura e tradição da cidade. Além das ruelas de paralelepípedos e das casas coloridas com varandas floridas, o bairro oferece vistas deslumbrantes para o Rio Tejo, sendo um dos melhores pontos para se contemplar a cidade do alto.

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Alfama é, sem dúvida, um dos bairros mais tradicionais — e ao mesmo tempo mais visitados — de Lisboa. Dois miradouros em destaque: Miradouro da Graça e Miradouro de Santa Luzia.

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Sé:

A imponente Catedral da Sé, em Lisboa, foi erguida no local onde anteriormente existia uma mesquita muçulmana.

De estilo predominantemente românico, com posteriores influências góticas e barrocas, a Sé de Lisboa resistiu a diversos terremotos ao longo dos séculos — incluindo o devastador sismo de 1755 — e passou por várias reconstruções, o que lhe conferiu uma mistura rica de estilos arquitetônicos.

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Além de sua importância religiosa, a Sé guarda vestígios arqueológicos que revelam as diferentes camadas históricas da cidade, desde o período romano até a ocupação islâmica. No seu claustro, é possível ver ruínas e vestígios dessas épocas.

Mais do que um templo religioso, a Catedral da Sé é um testemunho vivo da história de Lisboa e de Portugal, onde cada pedra carrega séculos de fé, transformação e identidade.

Bondes de Lisboa

Os bondes de Lisboa são muito mais do que simples meios de transporte — são verdadeiros ícones da cidade. Com seus tons vibrantes, esses elétricos antigos serpenteiam por ruas estreitas, ladeiras e curvas acentuadas, trazendo um charme inconfundível ao cenário lisboeta.

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Entre todos, o bonde 28 é talvez o mais emblemático, cruzando bairros históricos como Graça, Alfama, Baixa e Estrela. Em seus vagões de madeira e janelas amplas, passageiros — locais e turistas — se encantam com as vistas panorâmicas e com o ritmo tranquilo da viagem, que convida à contemplação.

Além de sua beleza nostálgica, os bondes carregam a memória viva da Lisboa de outros tempos. Introduzidos no início do século XX, eles mantêm até hoje o charme retrô, com interiores preservados e sinos que anunciam cada parada. Coloridos, fotogênicos e cheios de personalidade, os bondes de Lisboa são parte essencial da alma da cidade.

Cais das Colunas:

Este sempre foi o mais belo "portão" de entrada de Lisboa, onde a realeza e os embaixadores desembarcavam, subindo os degraus de mármore perto do rio.

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Bem pessoal, nossa visita a Lisboa está terminando por aqui. Hora de regressar ao porto para embarcarmos no nosso cruzeiro. Se você já esteve em Lisboa, conta pra gente como foi sua experiência!

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